Épisodes

  • Casal de mágicos brasileiros transforma sonho de infância em carreira em Portugal
    Jan 31 2026
    Por mais de 30 anos, o ilusionismo tem sido não apenas uma paixão, mas a profissão de André Corrêa, conhecido artisticamente como Andrély, e sua esposa, Flávia Molina. Nascidos no Rio de Janeiro, o casal encontrou em Portugal o cenário perfeito para transformar o encanto em carreira, conquistando plateias de todas as idades e mantendo viva a tradição de uma arte milenar. Luciana Quaresma, correspondente da RFI em Lisboa Desde a infância, André Corrêa se encanta pelo impossível. “Eu tinha nove anos, vi um mágico na televisão, num programa americano chamado The Magic Castle, e pensei: ‘poxa, mágico é legal’”, lembra. A curiosidade se tornou paixão quando, ao passar em frente a uma loja, viu a primeira “caixa de mágica”. “Fui picado pelo vírus da mágica. É um vírus que te pica e não sai mais do corpo”, diz Andrély. A partir de então, começou a estudar sozinho, economizando para comprar livros, frequentando bibliotecas e aprendendo truques cada vez mais complexos. Aos 12 anos, Andrély fez seu primeiro show profissional em uma festa infantil no Rio de Janeiro, acompanhado pelo pai. “Foi a primeira vez que falei em público. Eu era tímido, mas tive coragem e foi muito legal”, recorda. Entre bibliotecas, festivais e encontros com outros mágicos, ele se aprofundou na arte, descobrindo os diversos ramos do ilusionismo: close-up, manipulação, grandes ilusões, mentalismo e até hipnose de palco. A trajetória de Andrély se entrelaça com a de Flávia Molina, também ilusionista, que conheceu ainda no Brasil. “A magia nos une muito. Às vezes queremos brigar, mas vemos um truque e esquecemos a discussão”, conta Flávia filha do dono do Circo Molina. O casal compartilha não apenas a vida, mas o palco, criando números que combinam técnicas clássicas e inovações modernas, muitas vezes com elementos digitais, luzes e interação com o público. Entre shows, viagens e preparação para festivais internacionais, encontram tempo para a família e para o constante desenvolvimento da arte. “A magia é quase um vício para nós, mas é o que nos realiza, nos desafia e nos conecta com o público”, afirma Andrély. “É uma arte que te pica, como a música ou a pintura. Você se apaixona e nunca mais larga.” Portugal: um novo começo Chegar a Portugal, há mais de 20 anos, significou um novo começo. “Quando viemos, minha filha tinha apenas dois anos. Trabalhei alguns meses em uma loja de mágica até começar a receber convites para shows”, lembra Andrély. A adaptação ao mercado português foi rápida: os portugueses, acostumados a programas de televisão com mágica e hoje à presença digital de mágicos na internet, demonstram grande interesse e entusiasmo. “Os espetáculos de magia esgotam com facilidade, seja com shows de comédia, grandes ilusões ou close-up. Há público para todas as categorias”, explica Andrély. O público brasileiro, porém, apresenta diferenças sutis. Em cidades brasileiras, há grande demanda por shows teatrais ou festas infantis, enquanto o público português aprecia o entretenimento corporativo, festas privadas e espetáculos familiares. “No Brasil, o close-up é mais difícil de fazer porque o público quer descobrir o segredo, compete com o ilusionista tentando descobrir a magia. Em Portugal, as pessoas se encantam, aproveitam o momento, prestam atenção, sem se preocupar em decifrar os truques”, comenta Andrély. O encantamento que proporcionam ao público é, para ele e Flávia, a maior recompensa: “O sorriso das crianças, os aplausos dos adultos, isso faz a gente querer evoluir cada vez mais”, completa Flávia. Festivais internacionais Em fevereiro, o casal estará em Blackpool, na Inglaterra, para participar do maior congresso de mágica do mundo, onde 4 mil mágicos se reúnem para workshops, conferências e apresentações. “É essencial se reciclar, conhecer novas técnicas e produtos, e aprender com outros profissionais”, diz Andrély. A carreira também é marcada pela versatilidade: da grande ilusão em teatros a números de comédia interativos, ele adapta seus shows ao público. O ilusionista leva a magia a lugares inusitados, como centros de Alzheimer, onde a plateia, mesmo com dificuldades cognitivas, conecta-se profundamente com o espetáculo. O retorno da plateia transforma cada apresentação em um momento único para ambos, salienta ele. Quando questionado sobre a essência de sua arte, Andrély resume: “O que encanta é ver o impossível acontecer ao vivo, como efeitos especiais de um filme, mas diante dos seus olhos. As pessoas sabem que é truque, mas o impossível parece real”. Dicas para os novos ilusionistas As tecnologias podem representar uma oportunidade para a profissão, nota ele. “A magia vai continuar sendo necessária, especialmente em tempos de tecnologia e inteligência artificial. As pessoas querem ver a experiência ao vivo, sentir o ...
    Voir plus Voir moins
    5 min
  • Alta nos pedidos de repatriação revela vulnerabilidade e discriminação vividas por brasileiros em Portugal
    Jan 25 2026
    O fluxo migratório de brasileiros em Portugal está passando por mudanças significativas. Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que em 2025 foram 231 pedidos de retorno ao país entre janeiro e outubro, bem acima dos 149 pedidos de todo o ano anterior. Este aumento, segundo a OIM, reforça o papel do maior consulado brasileiro da Europa em meio a relatos de vulnerabilidade, violência e discriminação em Portugal. Lizzie Nassar, correspondente da RFI em Lisboa Os dados dos dois últimos meses do ano ainda estão sendo consolidados. Mas o aumento já identificado revela uma combinação de fatores econômicos, sociais e emocionais que têm levado parte da comunidade brasileira a reavaliar a permanência no exterior. No centro desse cenário está Portugal, que abriga hoje cerca de 800 mil brasileiros, a maior comunidade brasileira fora do país. Somente em Lisboa vivem aproximadamente 400 mil brasileiros, número que transformou o Consulado-Geral do Brasil na capital portuguesa na maior unidade consular da Europa em volume de atendimentos. Segundo o cônsul-geral Alessandro Candeas, o consulado de Lisboa “abriga hoje a maior comunidade brasileira fora do continente americano. São mais de meio milhão de pessoas vivendo, trabalhando e construindo novas histórias em Portugal”, afirma. Ao longo de 2025, o consulado analisou 85.677 requerimentos de serviços por meio do sistema e-consular. Desse total, 15.826 foram pedidos de passaporte e autorizações de retorno ao Brasil — um dado que dialoga diretamente com o aumento apontado pela OIM. Outros 13.642 atendimentos envolveram atos notariais, como registros de nascimento, procurações e reconhecimentos de assinatura. O setor de Assistência a Brasileiros realizou 2.745 atendimentos, incluindo orientação jurídica e psicológica, além de milhares de respostas a e-mails e consultas presenciais. A “caixa de ressonância” da comunidade brasileira De acordo com Alessandro Candeas, o consulado funciona como uma espécie de termômetro social da comunidade brasileira em Portugal: “Identificamos, muito claramente, que cresceu o número de brasileiros que buscam o consulado e dizem que querem voltar ao Brasil”. Ele destaca que o papel do brasileiro em Portugal é frequentemente retratado de forma negativa no debate público, o que não condiz com a realidade econômica e social. “O papel do imigrante brasileiro em Portugal é muito estereotipado e muito injusto. O brasileiro é um imigrante produtivo”, ressalta. Segundo o cônsul-geral, os brasileiros exercem funções essenciais no mercado de trabalho português, pagam impostos e contribuem de forma significativa para a previdência social do país. “A mão de obra necessária para o mercado português não compete com nenhum emprego ocupado por cidadão português. Muitos brasileiros ocupam posições que estão vazias porque a mão de obra portuguesa está em outros países”, explica Candeas. Vulnerabilidade, violência e saúde mental Outro dado que chama a atenção nos registros consulares é o crescimento dos atendimentos psicológicos, especialmente relacionados a vulnerabilidade social e violência. Casos de sofrimento emocional, conflitos familiares e violência de gênero têm sido cada vez mais relatados por brasileiros que procuram ajuda institucional. Para Candeas, esse aumento reflete não apenas dificuldades individuais, mas também o impacto do isolamento, da pressão econômica e das experiências de discriminação vividas por parte da comunidade. Leia tambémAumento da demanda por apoio psicológico entre migrantes gera novas frentes em saúde mental Racismo, xenofobia e bullying contra brasileiros Os temas da xenofobia e do racismo entraram oficialmente na agenda diplomática entre Brasil e Portugal. Segundo o cônsul-geral, trata-se de uma estratégia ampla, que envolve diferentes frentes do poder público e da sociedade civil. “É preciso trabalhar em políticas públicas comparadas, legislação, judiciário e sociedade civil. Não adianta você ter uma legislação robusta se o judiciário não faz sua parte”, afirma. Entre as iniciativas previstas está o programa “Amigos do Brasil”, voltado para escolas portuguesas, com foco em crianças e adolescentes — especialmente filhos de brasileiros que enfrentam episódios de bullying. Leia tambémFamília de menino brasileiro mutilado em escola de Portugal inicia acompanhamento psicológico “Há criancinhas que chegam chorando em casa. ‘Você não fala português’. Como assim? Eu falo português”, relata o embaixador. O programa prevê concursos de redação, vídeos e músicas, além de parcerias público-privadas que podem resultar em intercâmbios e viagens ao Brasil. “A ideia é transformar o problema em algo positivo”, resume Candeas. Entre o aumento do retorno ao Brasil, a sobrecarga dos serviços consulares e a criação de políticas de enfrentamento ...
    Voir plus Voir moins
    5 min
  • “Oscar da voz”: na temporada de ouro, brasileiros brilham em Hollywood
    Jan 24 2026

    Em uma temporada em que o Brasil volta a ocupar espaço de destaque nas grandes premiações, de festivais europeus a Hollywood, os artistas da voz também entram em cena. No último fim de semana, mais de duas dezenas de brasileiros participaram da premiação do 12º SOVAS (Society of Voice Arts & Sciences) Voice Awards, conhecido como o “Oscar da voz”. O paranaense Sebastian Zancanaro consolidou esse protagonismo ao estabelecer o recorde da noite e aparecer, com sua equipe, em 11 indicações e vencer em duas categorias.

    Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles

    A cerimônia premia profissionais de dublagem, locução, audiolivros, animação, publicidade e audiodescrição e aconteceu no mesmo palco em que, no domingo anterior, Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho receberam o Globo de Ouro, em Beverly Hills.

    “Receber o SOVAS é uma honra imensa. Esse prêmio tem um peso real em Hollywood porque celebra a excelência da voz e de quem vive contando histórias. Estar aqui cercado pelos melhores dos melhores da nossa indústria me inspira, contagia e eleva o nosso trabalho, eleva o meu trabalho. Representar o Brasil e a nossa comunidade nesse espaço é motivo de muito orgulho”, conta Sebastian.

    No SOVAS deste ano, cinco projetos produzidos pelo brasileiro — três longas-metragens e duas séries — chegaram à lista final. As indicações vieram pelo trabalho como produtor e diretor de elenco, e as estatuetas vieram por “Escape From ISIS” e “Crônicas de Exorcismo: O Início”. Este é o segundo ano consecutivo em que Sebastian é indicado ao SOVAS. Em 2025, ele já havia levado duas estatuetas pelo trabalho no filme “Deep Sea”.

    De Ponta Grossa a Hollywood

    A trajetória do brasileiro começou cedo e longe dos estúdios californianos. “Nasci em Ponta Grossa, no Paraná, e fiz teatro lá. Com 14 anos, peguei carteira profissional como ator. Então fiz muito teatro, escrevi também peças, poesias e tinha alguns membros da minha família que também faziam parte do teatro em Curitiba. Sempre tive essa paixão, essa curiosidade pelas artes. Sempre quis morar nos Estados Unidos, porque eu tinha uma paixão, uma afinidade muito grande pela língua inglesa, e com 18 anos eu vim para cá, na década de 1990”, relembra.

    Nos Estados Unidos, Zancanaro se formou pela Academia Americana de Artes Dramáticas, em Nova York, mas fincou residência em Los Angeles, onde há duas décadas se dedica a tudo o que envolve voz e atuação. Já trabalhou em grandes produções internacionais de animação, como A Era do Gelo, e em produções gravadas integralmente em seus estúdios, como Diário de um Banana. Hoje, a maioria de seus projetos é na língua inglesa, mas ele também já fez conteúdos em português para televisão e streaming.

    “Acho que um dos projetos de que eu mais gostei foi a série de época O Nome da Rosa, que foi para o Brasil, inclusive; a dublagem, a gente fez bem antes da pandemia. Foi um projeto supercorrido, mas tinha um roteiro maravilhoso, com uma qualidade muito boa e um time maravilhoso, com Jonas Torres, Erik Marmo, Eduardo Carvalho e Carlos Machado.”

    À frente de um estúdio que realiza dublagens e gravações de voz para cinema e TV, Zancanaro divide o tempo entre produção, direção de elenco e escrita. O próximo passo, admite, é assumir mais projetos como diretor e roteirista, talvez fazendo ainda mais essa ponte Hollywood–Brasil.

    “Fico feliz em fazer parte dessa comunidade aqui em Hollywood, que está sendo reconhecida no Globo de Ouro, no Oscar, no SOVAS. Muitos atores brasileiros — Mabel César, por exemplo, que ganhou no SOVAS o prêmio de diretora de dublagem em inglês pelo filme Homem com H (Netflix) — e eu ganhando a premiação também como diretor de elenco. Fico muito, muito inspirado para continuar fazendo trabalhos de qualidade, não só em Hollywood, mas no Brasil também, quem sabe um dia.”

    Na avaliação de Zancanaro, Califórnia e Brasil “estão com tudo”, e os artistas brasileiros estão ajudando a criar essa ponte de acesso à cultura e à arte, para fazer projetos de excelência para audiências globais.

    Voir plus Voir moins
    5 min
  • Advogada brasileira dedica carreira a ajudar vítimas de violência doméstica em Portugal
    Jan 3 2026
    A história de muitas mulheres brasileiras que deixam o país em busca de segurança, estabilidade e uma vida melhor no exterior nem sempre encontra o final feliz que elas imaginavam. Para algumas, a violência atravessa oceanos. É nesse cenário complexo e muitas vezes invisível que atua a advogada Luana Ferreira, líder do Comitê de Direito das Mulheres do Grupo Mulheres do Brasil, em Lisboa. Lizzier Nassar, correspondente da RFI em Lisboa A violência viaja silenciosa, escondida dentro de malas, memórias, fragilidades e dependências. Em outras vezes, ela surge justamente no estrangeiro, onde a solidão da imigração, a falta de rede de apoio e o desconhecimento do sistema local criam o ambiente perfeito para que o ciclo se repita — ou se intensifique. A advogada brasileira Luana Ferreira, líder do Comitê de Direito das Mulheres do Grupo Mulheres do Brasil em Lisboa, conhece bem essas armadilhas. Ela se tornou, na prática, aquilo que tantas mulheres procuram desesperadamente quando decidem romper o silêncio: uma ponte. Uma mão estendida. Um lugar seguro onde é possível contar o que não se consegue nem admitir para si mesma. “Desde muito pequena eu vi e ouvia histórias de violência. Situações bem complicadas. Isso me tocou desde muito nova”, ela conta. O que poderia ter sido apenas uma lembrança dolorosa transformou-se em vocação. Hoje, ela trabalha diariamente para acolher mulheres que vivem aquilo que tantas outras, por gerações, foram ensinadas a suportar. O Comitê de Direito das Mulheres, que ela lidera, é dedicado à promoção e defesa dos direitos das mulheres, com especial atenção ao combate à violência doméstica — e com um objetivo central que vai além da assistência: sensibilizar a sociedade. “É importante trazer para as pautas sociais e para a sociedade que a violência doméstica é um problema de todos”, afirma. Os números comprovam que o problema é mais amplo do que a maioria imagina. Segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, 1.631 casos de violência doméstica e de gênero contra brasileiras foram registrados em embaixadas e consulados em 2024 — um aumento de 4,8% em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos lideram as notificações (397 casos), seguidos da Bolívia (258), Itália (153), Portugal (144) e Reino Unido (102). Cada número desses representa uma história que atravessou fronteiras carregando medo, insegurança e, muitas vezes, silêncio. Em Portugal, onde a advogada atua, a violência doméstica continua sendo o crime mais reportado. Só entre janeiro e agosto deste ano, a APAV — Associação Portuguesa de Apoio à Vítima — apoiou 14.008 mulheres. As situações de vitimação ocorreram em 89,9% dos municípios do país, com maior incidência nos distritos de Lisboa, Faro, Braga e Porto. Até setembro, 18 pessoas foram assassinadas em contexto de violência doméstica — 16 eram mulheres. E, segundo a PSP e a GNR, foram registradas 25.327 ocorrências nos primeiros nove meses do ano de 2025, o maior número dos últimos sete anos. Relutância em se reconhecer como vítima Esses dados ajudam a contextualizar uma realidade que, aos olhos da advogada, aparece diariamente em forma de relatos fragmentados, mensagens rápidas, áudios enviados com cuidado para que ninguém ouça, e pedidos de ajuda que começam hesitantes: “Não sei se isso é normal.” Muitas vezes, ela é a primeira pessoa a quem a mulher se direciona quando finalmente decide falar. “A mulher vive com medo: no lar, na sociedade, no dia a dia… Ela não sabe o que pode vir a acontecer se cruzar com o agressor ou se ele tiver acesso à vida que ela está construindo agora”, explica. Para ela, a violência doméstica não termina quando a relação termina. “É um crime que, muitas vezes, rouba a paz para sempre.” Entre os casos que chegam ao comitê, há agressões físicas e psicológicas, mas também formas de violência que muitas mulheres só descobrem quando já estão presas a elas. Uma das mais comuns entre brasileiras em Portugal é a violência administrativa. “O agressor retém, esconde ou inutiliza documentos da vítima. Já tivemos casos de passaportes rasgados, queimados, inutilizados — da mulher e das crianças”, relata. Impedida de viajar, de trabalhar ou de se movimentar, a vítima perde autonomia e fica ainda mais vulnerável. Escuta entre imigrantes Nesse contexto, a presença do comitê funciona como um abraço possível. A equipe escuta, orienta, encaminha e apoia. A rede inclui psicólogas, advogadas, associações especializadas e serviços públicos. E tudo começa com algo simples, mas fundamental: acreditar na vítima. “Quando são brasileiras — e elas são a maioria que nos procura — torna-se mais confortável encontrar outra imigrante do outro lado. É alguém que entende o medo, o idioma, a saudade, a culpa e a solidão.” Mas, apesar do apoio, o caminho institucional no país ainda ...
    Voir plus Voir moins
    5 min
  • De Santos para Hollywood: brasileira trabalhou nos efeitos visuais de Avatar 2 e 3 ao lado de James Cameron
    Dec 20 2025
    Quando Avatar chegou aos cinemas em 2009, não foi apenas um sucesso de bilheteria, foi um divisor de águas na história do cinema. Entre os profissionais responsáveis por dar vida ao universo azul está Mel Quintas, uma brasileira que trabalhou por oito anos diretamente na construção dos efeitos visuais de Avatar 2 e Avatar 3. Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles O filme de James Cameron não apenas se tornou o mais lucrativo de todos os tempos – tendo alcançado quase US$ 3 bilhões em bilheteria –, mas também redefiniu os limites dos efeitos visuais e da tecnologia cinematográfica. Agora, com a estreia de Avatar: Fogo e Cinzas, o público volta a Pandora sabendo que, por trás de uma história, há também um espetáculo visual, criado por Cameron e, claro, com o apoio de toda uma equipe criativa que põe em prática as ideias do gênio. Para Mel, tudo começou em 2009, quando ela viu o primeiro filme da saga: “Eu falei, literalmente, ‘é nesse tipo de filme que eu quero trabalhar, nesse tipo de universo’. Eu queria viver naqueles mundos, poder criá-los e trazer entretenimento também para as pessoas”, revelou Mel em entrevista exclusiva à RFI, direto de Hollywood. Na época, ela tinha 18 anos, vivia em Santos e estava se formando no ensino médio. Mesmo ouvindo de professores que deveria “fazer um teste vocacional para seguir um sonho realista e se inscrever no vestibular no Brasil”, a jovem arrumou as malas e partiu para a faculdade de Animação em Orlando. Cidade que logo também ficou pequena para os planos dela, que queria chegar a Hollywood. “Eu sabia que era o lugar certo para estar se eu quisesse seguir nessa carreira. E, graças a Deus, deu tudo muito certo. Uma coisa foi levando à outra coisa. Tive muita sorte mesmo”, conta. Currículo impressionante da brasileira Em Hollywood, logo o primeiro filme em que Mel trabalhou, Invocação do Mal (2013), já foi sucesso de bilheteria, em seguida foi uma superprodução atrás da outra. “No início, eu trabalhei mais na parte de conversão dos filmes para 3D. Na época, era o grande boom. Todo mundo queria fazer todos os filmes em 3D. Eles filmavam em 2D e aí convertíamos para 3D. Trabalhei em Homem de Ferro 3, Guardiões da Galáxia, Star Trek, Star Wars, Planeta dos Macacos, X-Men”, enumera Mel. Mas a lista é bem mais longa. Em 13 anos em Hollywood, a santista já acumula impressionantes 40 filmes no currículo, entre eles alguns dos campeões de bilheteria da última década, e a jornada a Pandora, da qual ela participou nos últimos oito anos. “O mais importante é acreditar. Não deixe que digam para você ser mais realista. Para sair da realidade em que você está, primeiro você precisa acreditar que pode viver em outra”, afirma. Avatar e James Cameron Em Avatar, Mel integrou a equipe responsável por criar as sequências do filme. Na prática, isso significa participar da construção do longa desde a pré-produção. “No nosso caso, era um negócio bem abrangente, porque a gente tinha que fazer de tudo. Estávamos montando o filme, literalmente montando o escopo do filme para ele se tornar alguma coisa. Esse processo começa desde a pré-produção, que a gente chama de pré-visualização de algumas cenas do filme, imaginando como vai ser essa sequência de ação. Uma animação mais rápida, não uma renderização final. Isso inclui capturar os atores no set para ver se estava dando certo, montar as cenas e gravar com câmeras virtuais”, explica. As filmagens começaram em 2017, com regravações, ajustes e trabalho contínuo no departamento do qual Mel fez parte até julho de 2025. A brasileira trabalhou em grande parte das sequências do longa, que tem 3h17min de duração, e acompanhou de perto cada detalhe. Ela fez parte de uma equipe de cerca de 30 pessoas dentro da Lightstorm Entertainment, produtora de James Cameron. E estar nos projetos de Avatar 2 e 3 também significou conviver de perto com o cineasta, considerado um dos mais importantes e visionários da atualidade. “Ele é um gênio. Mais do que isso: ele explica tudo o que está fazendo. Ele gosta de ensinar”, diz Mel. “É uma aprendizagem que vale mais do que qualquer faculdade. Estar perto de uma pessoa assim é surreal. Foi como uma faculdade diária.” Do sonho adolescente ao Oscar O sonho que virou realidade já veio acompanhado de um Oscar. Avatar: O Caminho da Água (2022) venceu o prêmio de Melhores Efeitos Visuais. “No dia seguinte ao prêmio, eu fui dar parabéns ao meu supervisor, que foi quem recebeu o Oscar, e ele me disse: ‘Esse prêmio é de todos nós; não existe esse prêmio sem vocês’. Acho que a gente não recebe esse reconhecimento em todos os lugares; aqui tem muito disso”, diz a brasileira. E tudo indica que a equipe vai estar, de novo, na festa do Oscar em 15 de março de 2026. O filme que estreou nesta semana nos cinemas brasileiros acaba de aparecer na lista dos ...
    Voir plus Voir moins
    7 min
  • 'Cada frame é um quadro': o brasileiro que pode chegar ao Oscar com 'Sonhos de Trem'
    Nov 30 2025
    Ao entrar no elevador para fazer entrevistas sobre o filme “Sonhos de Trem” (Netflix), a primeira coisa que ouvi de um jornalista americano foi: “Qualquer frame do filme dá um quadro maravilhoso”. Ele não sabia que o diretor de fotografia era brasileiro, mas sem perceber, acabou me dando a manchete e resumiu exatamente o que tantos profissionais têm repetido sobre o trabalho de Adolpho Veloso. Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles O nome de Veloso circula nas principais publicações de Hollywood, entre os favoritos na corrida ao Oscar na categoria de Melhor Fotografia. Nesta última semana, ele já apareceu na shortlist do Critics' Choice Awards, premiação da principal associação de críticos de cinema dos Estados Unidos. Veloso, que mora em Portugal e carrega o Brasil na memória e no olhar, veio a Hollywood para participar do lançamento do filme e das campanhas de premiações. E parece ainda se surpreender com essa repercussão. “É muito louco. Você nunca imagina, quando está filmando, que isso vai acontecer. Não é uma coisa que faz muito sentido, ao mesmo tempo, é tão surreal que eu prefiro nem pensar tanto. E é um ano extremamente difícil, com muito filme bom, acho que é um dos melhores anos do cinema nos últimos tempos”, contou à RFI. Ele confessa que, como muitos artistas, vive crises profundas durante o processo. “É incrível ter esse reconhecimento, principalmente pela quantidade de crises que a gente tem filmando, que você acha que nunca mais vai filmar na vida. A primeira vez que assisti esse filme no cinema, pensei: ‘Meu Deus, isso está horrível, nunca mais vou conseguir trabalho’. E ver essa reação agora, que é o completo oposto, dá forças para seguir”. Memórias e naturalismo Em “Sonhos de Trem”, dirigido por Clint Bentley e inspirado na novela de Denis Johnson, acompanhamos Robert Grainier (Joel Edgerton), um lenhador do início do século XX, que vive longos períodos longe da família. A atmosfera é de recordações borradas, sensações e silêncios, algo que nasceu de forma muito consciente entre Clint e Adolpho. “A gente queria muito que, ao assistir ao filme, parecesse que você estivesse vendo as memórias de alguém, quase como se encontrasse uma caixa com fotos antigas e tentasse entender a vida daquela pessoa, às vezes meio fora de ordem, e você tenta entender quem foi aquela pessoa por aquelas fotos”, explica. Um brasileiro nos anos 1920 Filmado inteiramente no estado de Washington em apenas 29 dias, um feito raro para um longa de época, o projeto exigiu uma maratona por florestas intocadas, vales, zonas devastadas e cenários naturais extremos. A natureza no filme é praticamente uma personagem. “Num filme de época, às vezes é difícil para quem o assiste se conectar, porque tudo é tão diferente. Então queríamos trazer mais realidade, mais conexão. Filmamos só com luz natural e uma câmera bem orgânica, como se você estivesse lembrando de algo que viveu”. Veloso, que nasceu em São Paulo e hoje vive em Portugal, encontrou na história de Grainier uma identificação imediata. “Quando o diretor me mandou o roteiro, pensei: essa vida é basicamente a minha. Esse cara que fica meses longe de casa, trabalhando com gente que talvez nunca mais vai ver… é assim para quem faz cinema. Voltar para casa sempre é estranho, leva dias para sentir que você pertence de novo. Tem as questões de perda, de imigração, da gente ser estrangeiro numa terra diferente, e isso tem consequências”. Olhar brasileiro encontra caminho em Hollywood A trajetória até Hollywood foi, como ele mesmo diz, “aos poucos”. Começou filmando no Brasil, trabalhou com Heitor Dhalia, assinou filmes e documentários, entre eles “On Yoga”, que chamou a atenção de Clint Bentley. Quando Bentley preparava “Jockey” (2021), buscava justamente alguém que transitasse entre ficção e documentários. Encontrou Veloso e o contactou por e-mail. Anos depois, “Sonhos de Trem” se tornaria o segundo filme da dupla. Além de estar nas previsões de Melhor Fotografia para o Oscar, a produção, que já está disponível na Netflix, aparece com possíveis indicações de Melhor Filme, Melhor Ator (possivelmente para Joel Edgerton) e Melhor Roteiro Adaptado. O Brasil que sempre volta Quando lhe pergunto se leva algo do Brasil para seus filmes, a resposta vem quase antes da pergunta terminar: “O nosso jeitinho.” Não no sentido estereotipado, mas na criatividade diante do impossível, no drible às burocracias rígidas de sets americanos. “Aqui tudo é muito engessado e a gente não está acostumado com isso. Aqui, você tem uma ideia e já ouve um não: isso custa tanto, precisa disso, daquilo. E às vezes não precisa de tudo isso. Digo, e se a gente só fizer assim? E funciona.” Reconhecimento Conto a ele que vários jornalistas comentaram comigo espontaneamente sobre a fotografia do filme, sem saber que ...
    Voir plus Voir moins
    8 min
  • Favorito nas redes e nas apostas: Wagner Moura dá início ‘para valer’ à sua campanha ao Oscar
    Nov 22 2025
    A presença brasileira voltou a estremecer Hollywood nesta semana. Depois que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas divulgou nas redes sociais uma foto de Wagner Moura no Governors Awards, o público fez história, novamente: foram mais de 156 mil comentários, um número que superou, de longe, as reações dedicadas a outras grandes estrelas da noite. Cleide Klock, correspondente da RFI em Los Angeles Esse mar de engajamento, que havia acontecido também no ano passado com a foto de Fernanda Torres, marcou simbolicamente o início da campanha “para valer” de Moura nos Estados Unidos. Um dia antes de ir à festa, ele conversou com a RFI e já falava do poder dos brasileiros nas redes sociais. “Eu estava com a Nanda [Fernanda Torres] no Governors Awards ano passado. Eu lembro da gente conversando ali e lembro dela falando assim: 'eu não tirei a foto ainda, vou lá tirar'. A foto da Nanda teve um milhão de likes. As fotos de todas as estrelas americanas que estavam lá não tiveram nem um milésimo do que ela teve. Eu acho maravilhoso!", lembrou o protagonista de “O Agente Secreto”. Wagner Moura agora vê a história se repetir no engajamento e no favoritismo do filme de Kleber Mendonça Filho na categoria de produção internacional. Após finalizar uma temporada teatral no Brasil, o ator desembarcou em Los Angeles e já iniciou uma agenda intensa de campanha para o Oscar. Paralelamente, como é padrão na temporada, ele também faz campanha para o Globo de Ouro, Critics' Choice e demais premiações dos sindicatos que moldam o rumo da corrida. “Fiquei um tempo afastado dessa parte. Kleber Mendonça Filho viajou muito, e agora estou totalmente comprometido com isso. É muito bom, porque você senta com os outros atores, escuta seus colegas também de outros lugares, que fizeram outros filmes maravilhosos esse ano. Isso é uma troca muito boa. Você poder ouvir outras pessoas, de outras latitudes no mundo, falando do seu filme. Estamos aqui nos Estados Unidos, e depois vou para muitos países europeus, Inglaterra, Itália, Espanha, França. É campanha, é isso, é viajar e falar do filme pelo mundo”, diz. A perna cabeluda Nesta última semana, Wagner Moura participou da primeira sessão paga de “O Agente Secreto” em território americano. No dia 26 o filme entra em circuito comercial nos Estados Unidos. O ator também comentou quais são as conversas mais frequentes após as sessões. “Eu acho muito engraçadas as perguntas sobre a perna cabeluda. A primeira vez que eu ouvi falar da perna cabeluda foi na música de Chico Science, que inclusive é a música que eu botei na abertura do Marighella, que diz que 'Galeguinho do Coque não tinha medo da perna cabeluda'. Só agora, trabalhando com o Kleber, fui entender que a perna cabeluda virou uma lenda urbana no Recife porque jornalistas, para driblar a censura, em vez de denunciar a brutalidade policial, diziam que quem tinha feito aquelas coisas havia sido essa perna saltitante. Ela virou notícia no jornal e as pessoas trancavam a porta da casa por medo da perna cabeluda", explicou o ator. “É muito bom isso, você ver um pedaço do seu país sendo mostrado. Acho muito importante que o público fora do Brasil veja aquilo, mas acho mais importante que nós brasileiros também vejamos. Não consigo entender ainda a lógica de quem não acha que o governo deveria apoiar a cultura, de que a cultura não é uma coisa importante para o desenvolvimento do país. Fico querendo ver algum argumento", reitera. Favoritismo Wagner não é apenas favorito nas redes: as listas iniciais de possíveis indicados a melhor ator ao Oscar 2026 já colocam o ator brasileiro ao lado de nomes como Ethan Hawke (Blue Moon), Leonardo DiCaprio (Uma Batalha Após a Outra), Timothée Chalamet (Marty Supreme) e Michael B. Jordan (Pecadores). Mas foi a atualização mais recente do The Hollywood Reporter que surpreendeu até os fãs mais otimistas. Wagner Moura aparece como o número 1 entre os favoritos. “Mostra que você está num momento muito bonito da trajetória como artista, tendo esse tipo de reconhecimento. Essa indicação ainda não veio e não gosto de ficar falando disso, mas é maravilhoso. É um filme brasileiro, um ator brasileiro. Eu acho maneiro. Na Bahia, o pessoal tem orgulho”, brinca. O filme "O Agente Secreto" não nasceu para entrar na corrida do Oscar, mas do desejo de entregar um filme sólido, impactante, com identidade brasileira e potência universal. Quando um trabalho é feito com essa qualidade, o Oscar deixa de ser um objetivo distante e passa a ser uma consequência possível. Mas envolve muitas camadas, entre elas a de ter um distribuidor poderoso, como a Neon, que aposta na campanha nos Estados Unidos. “Já fiz tanto filme. Fiz muito filme ruim, sempre com o intuito de fazer bem, mas é difícil. Quando vem um bom, você fica querendo que aquilo esteja nas discussões, nas conversas, como 'O Agente Secreto' ...
    Voir plus Voir moins
    7 min
  • Festival leva cinema negro brasileiro à capital alemã
    Nov 22 2025
    Cine Brasil celebra 20 anos com produções dedicadas ao cinema afro-brasileiro e à diversidade cultural. A estreia em Berlim teve sala lotada e presença do cineasta Antonio Pitanga, grande homenageado deste ano. Cristiane Ramalho, correspondente da RFI em Berlim O festival acontece no cinema Babylon – uma charmosa e quase centenária sala no bairro central de Mitte. O evento costuma atrair um vasto público formado, sobretudo, por brasileiros e alemães que vivem em Berlim. Em sua noite de estreia, uma gelada quinta-feira (20) de outono, a mostra exibiu “Malês”, dirigido e estrelado por Antonio Pitanga. A homenagem ao ator e diretor baiano é o reconhecimento do que a sua obra representa “para o cinema, o teatro, a televisão – e para a identidade negra brasileira”, diz o criador e curador do festival, Sidney Martins. O trabalho do cineasta está presente ainda em outros três filmes. Além do documentário “Pitanga”, de Beto Brant e Camila Pitanga, atriz e filha do diretor, serão exibidos “Casa de Antiguidades” e “Oeste Outra Vez”, que também contam com atuações do artista. Nesta edição, que marca os 20 anos do Cine Brasil, serão exibidos 15 filmes. Entre os destaques, está “Kasa Branca”, de Luciano Vidigal, que “é o segundo longa produzido pelo grupo Nós do Morro, que virou Nós do Cinema, lá do Vidigal (comunidade carioca)”, lembra o curador. O diretor de “Kasa Branca”, primeiro cineasta negro a ganhar o prêmio de melhor direção no Festival do Rio, em 2024, também está em Berlim para participar da mostra. Há ainda diversos filmes que farão a sua estreia internacional na capital alemã, como “Família de Sorte”, de Viviane Ferreira, além de longas como “Luiz Melodia, no Coração do Brasil”, de Alessandra Dorgan, “Vitória”, de Andrucha Waddington e Breno Silveira, e “Virgínia e Adelaide”, de Yasmin Thayná e Jorge Furtado. Para além dos estereótipos Martins conta que resolveu criar o festival, em 2005, para homenagear os negros e oferecer uma perspectiva que fosse além da forma estereotipada como eles geralmente eram apresentados na cinematografia brasileira – algo que sempre o incomodou. Para isso, o curador garimpava obras no Brasil que pudessem “retratar os afrodescendentes de uma forma mais humana e real” do que aquela que era tradicionalmente mostrada pelas televisões e filmes brasileiros. Nessa época, porém, ainda era difícil reunir películas suficientes para compor a mostra. Em 2007, o festival – que surgiu como “O Negro no Cinema Brasileiro” -, torna-se mais abrangente, e passa a se chamar Cine Brasil, incluindo outras temáticas relevantes para a sociedade brasileira, mas sem perder o foco original. Produção cinematógrafica negra se multiplicou Hoje, a produção do cinema negro se expandiu, diz o curador. São muitos os filmes que revelam “uma visão cinematográfica da história contada pelos negros e sobre os negros brasileiros”, observa Martins. A audiência do festival também mudou. Formada majoritariamente por alemães em seu início, a mostra passou a atrair cada vez mais brasileiros a partir de 2022. Hoje, eles representam 60% do público do Cine Brasil, segundo o curador. A plateia ganhou ainda um perfil mais jovem – o que pode estar ligado às redes sociais. Mostra vai passar por cinco cidades alemãs “A participação do público é muito importante, e está crescendo. Ele é o nosso grande patrocinador. Isso nos dá força e energia para continuar”, diz Martins. A consolidação da mostra trouxe este ano parceiros como a Embaixada do Brasil em Berlim, por meio do Instituto Guimarães Rosa, a Embratur, a TAP e a organização alemã Brot für die Welt. Nesta edição há também sessões gratuitas de filmes falados em português para alunos da escola pública bilíngue Grundschule Neues Tor, em Berlim - um incentivo à formação de espectadores infantojuvenis. Há também um bate-papo diário com cineastas brasileiros. Mas chegar aos 20 anos não foi fácil. Após uma fase de forte crescimento, o festival atravessou um período de turbulência, agravado pela pandemia e pelo governo Bolsonaro. Martins, que também é gestor cultural, ator e mestre de capoeira, conta que chegou a vender um carro no ano passado para viabilizar a mostra – e só aí entraram os patrocínios. “Criar um projeto é mais fácil do que manter”, admite. Apesar de todas as dificuldades, o brasileiro garante que jamais pensou em desistir da ideia. A retomada está vindo aos poucos. Este ano, o Cine Brasil – que chegou a 23 cidades em seu período áureo - vai passar ainda por Frankfurt, Colônia, Düsseldorf e Freiburg. Em Berlim, a mostra fica em cartaz até a próxima quarta-feira (26/11).
    Voir plus Voir moins
    5 min