Page de couverture de Crônicas de Celina Penteado

Crônicas de Celina Penteado

Crônicas de Celina Penteado

Auteur(s): Wave Canada
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Seleção de crônicas do cotidiano.Copyright Wave Canada Art
Épisodes
  • Pessoas com quem cruzei
    Feb 23 2026
    Indivíduos interessantes com estórias fascinantes.

    Mas essas pessoas não me viam, minha câmera as traziam para perto e minha imaginação viajava pra bem longe. Um homem de meia idade tomando um sorvete, outro escolhendo uma obra de arte e mais adiante alguém lendo um jornal.

    O primeiro é aposentado. O segundo um simples turista. O terceiro está concentrado em observar o planeta nas páginas do Le Monde.

    Um apaixonado desejando que o tempo passasse mais depressa do que sua sobremesa que estava derretendo.

    Um colecionador nem um pouco entusiasmado com as ofertas da galeria.

    Um leitor visivelmente mal humorado como qualquer outro parisiense daquela geração.

    Talvez ele tenha voltado sozinho pra casa.Talvez nenhuma peça nova entrasse para sua coleção.

    Talvez o mundo estivesse desinteressante naquela tarde.Foi só mais um dia procurando nos rostos de estranhos estórias que nunca me contariam.
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    1 min
  • Amor anônimo
    Feb 5 2026
    O café estava demorando e por isso ficou difícil não descansar o olhar em você.

    Sua atenção ao celular, a baguete por cima da pasta, o desalinho de roupas cansadas de um dia de trabalho.

    Mas achou, e acredito, chamou quem procurava. E como seu rosto se iluminou. Puxou um pedaço do pão e o levou à boca deixando uma migalha esquecida na barba.

    Imaginei que seria uma namorada, talvez recente na sua vida. Como saber? Continuou falando por mais um pequeno tempo e seus olhos me viram. Nem tentei disfarçar e recebi um sorriso acompanhado de uma oferta daquela baguete despedaçada.

    Voltei minha atenção para o café atrasado e antes mesmo de pagar a conta, sua pessoa chegou tão feliz como a imaginara. Seguiram abraçados e lamentei ter perdido aquele momento...

    Retomando meu caminho entendi que momentos genuínos assim, não devem ser capturados, pois são únicos e pertencem aos apaixonados!
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    1 min
  • Personagem anônima
    Jan 30 2026
    Poderia ser 1964, maio. Mas era setembro, 2025.

    Foi um encontro casual, pois eu precisava da cadeira em que havia deixado suas bolsas. Gentilmente me cedeu o lugar e sorrindo voltou os olhos para o telefone.

    Sentei e agradeci, mas meu francês denunciou uma origem desconhecida. Mistério desfeito, gentilezas trocadas e junto com o ar frio daquele fim de tarde, voltei minha atenção para o vai e vem de toda aquela gente apressada...

    Me contou entusiasmada o quanto aquele bairro havia mudado nas últimas décadas. Concordei em silêncio e a ouvi contar sobre uma tarde específica na primavera de 64. Não era sobre romance, era sobre perda.

    Ao final, se despediu, sorriu mais uma vez e seguiu andando até que meus olhos a perderam de vista. Para ela, ainda era 1964, uma jovem mulher envolvida por milhares de lembranças.

    Para mim, 2025 continuava a me surpreender!
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