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Page de couverture de José Baessa de Pina: “Não há trabalho precário. Há trabalhos mal pagos que tornam a pessoa precária”

José Baessa de Pina: “Não há trabalho precário. Há trabalhos mal pagos que tornam a pessoa precária”

José Baessa de Pina: “Não há trabalho precário. Há trabalhos mal pagos que tornam a pessoa precária”

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No mesmo ano – 1976 – em que Portugal aprovava a sua Constituição, estabelecendo os direitos, liberdades e garantias fundamentais dos seus cidadãos, José Baessa de Pina nascia em território nacional, destituído dos mais elementares preceitos constitucionais.

Filho de ex-contratados cabo-verdianos que, antes de serem mobilizados para Lisboa pelo regime colonial, amargaram trabalhos forçados nas roças de São Tomé e Príncipe, Sinho, como é mais conhecido, habituou-se a contar a sua história no plural.

A caminho dos 50 anos, o vice-presidente da Associação Cavaleiros de São Brás, com sede no Casal da Boba, na Amadora, reconstitui as memórias pessoais e familiares a partir dos laços comunitários que nenhum processo de demolições e realojamentos conseguiu desfazer.

Convidado desta semana de O Tal Podcast, Sinho recorda como os escombros do Bairro das Fontainhas, onde cresceu, continuaram a ser lugar de pertença anos após a mudança para a Boba.

“No processo de realojamento não se preocuparam com o acompanhamento de psicólogos, [o efeito de] tirar uma pessoa de uma comunidade autoconstruída, pé no chão, que tem muita solidariedade e autoajuda”, nota o líder comunitário, partilhando um dos efeitos do desenraizamento.

“Fomos realojados em 2001. Em 2004, nós, jovens, ainda dormíamos nas Fontainhas. Isso tem que ser estudado. Porque é que és realojado num bairro, e três anos depois ainda vais dormir [ao antigo bairro]”.

As marcas dessa experiência avivam-se nesta conversa com Georgina Angélica e Paula Cardoso, e também se ativam no passeio “Noz Stória”, conduzido por Sinho como uma homenagem à sua comunidade, e uma denúncia contra as ausências e os excessos do Estado.

“Enquanto a esquadra não estivesse construída, não fazíamos o realojamento. Foi a primeira coisa que senti: vamos continuar a ser guetizados”.

As políticas de exclusão, nota o também agente cultural, estão bem visíveis na paisagem urbana que caracteriza os bairros de habitação municipal, esvaziados de zonas verdes e áreas de diversão para as crianças.

“Havia uma biblioteca, o Pólo da Boba, e tiraram. Era a melhor ferramenta que estava no bairro”.

Muito além dos espaços, as lógicas de subtração operam na construção da personalidade, conforme conta Sinho neste episódio.

“A minha primeira língua é o crioulo. Levei várias reguadas porque a professora dizia que eu não falava correto. Isto tira-te a autoestima, queres ficar lá no canto”.

Hoje pai de uma jovem mulher– a atleta olímpica Taís de Pina –, e de gémeos adolescentes, o convidado de Georgina Angélica e Paula Cardoso faz questão de quebrar velhos ciclos de encolhimento.

“O meu pai nunca falou comigo, era pouco diálogo, muito rígido. Estamos noutro tempo, mas ainda a desconstruir, porque há um modelo de criação antigo que com essas crianças de agora tens que negociar, sem deixar o respeito”.

Nesta conversa, o líder comunitário reflete também sobre a desproteção das relações laborais.

“Não há trabalho precário. Há trabalhos mal pagos que tornam a pessoa precária”, defende, alertando para os desequilíbrios de poder que fragilizam os trabalhadores."Temos um Portugal com neocolonialismo. Estamos a ver na televisão, em 2025, a mesma exploração. Está escancarado nas notícias: 10 GNR dentro de um gangue a escravizar pessoas”.

Ouça o episódio completo aqui.

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