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Auteur(s): RFI Brasil
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Bate-papo com os correspondentes da RFI Brasil pelo mundo para analisar, com uma abordagem mais profunda, os principais assuntos da atualidade.France Médias Monde Politique
Épisodes
  • Saiba o que é o E6, grupo liderado pela Alemanha que quer tornar a União Europeia mais ágil
    Feb 4 2026

    Liderados pela Alemanha, um grupo de seis países está propondo uma iniciativa para acelerar as tomadas de decisão na União Europeia. Chamado de E6, o grupo composto por Alemanha, França, Polônia, Espanha, Itália e Países Baixos pretende oferecer um contrapeso mais ágil aos crescentes poderes de Rússia, China e Estados Unidos no cenário global.

    Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf, na Alemanha

    O E6 foi apresentado de forma discreta, em 27 de janeiro de 2026, através de uma vídeo-conferência convocada pelo ministro alemão das finanças, Lars Klingbeil, com os seus homólogos destes outros cinco países. A repercussão até aqui é pequena, mas tem potencial para alavancar ou, ao contrário, rachar a União Europeia.

    Isso porque o que a Alemanha está propondo é uma espécie de “União Europeia dentro da União Europeia”, ou, como o próprio ministro alemão chamou, “uma Europa a duas velocidades”. Enquanto as decisões do bloco atualmente envolvem consultar os 27 países membros, o E6 conseguiria tomar decisões mais rápidas sobre alguns assuntos, consultando apenas as seis maiores economias.

    A ideia é acelerar a atuação europeia em quatro frentes econômicas e militares. São três propostas econômicas. Primeiro, criar a chamada União de Poupança e Investimento da União Europeia, o que garantiria mais financiamento para empresas e startups. Segundo, reforçar o papel internacional do euro. Embora este seja um termo genérico, sabe-se que uma das ideias é tornar a Europa menos dependente de meios de pagamento estrangeiros, com foco na soberania tecnológica.

    O último tema econômico que deve ser acelerado pelo E6 é garantir a disponibilidade de matérias-primas e assegurar cadeias de abastecimento confiáveis. Em outras palavras, obter energia industrial barata, o que hoje é o principal entrave ao crescimento da Alemanha, mas também terras-raras, em um dos pontos que esse novo grupo econômico europeu pode cruzar o caminho do Brasil.

    Impasse entre França e Alemanha

    O quarto tema é sem dúvida é o mais urgente, dado o contexto da invasão russa à Ucránia. O documento de lançamento do E6 diz que a defesa deve ser, “firmemente consagrada como prioridade no próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia”. O bloco está desenvolvendo uma força de reação rápida de até 5.000 soldados, entre outras iniciativas.

    Vale lembrar que a Alemanha já vem reforçando parcerias bilaterais de defesa, tendo assinado recentemente acordos com Itália e Polônia para desenvolvimento de armamento e exercícios militares conjuntos. Mas os desafios de integração em defesa não são poucos.

    Só para citar um exemplo, o mega projeto Sistema Aéreo de Combate Futuro, que visava desenvolver um caça franco-alemão, está em um impasse há anos e, segundo a revista alemã Stern, a ideia teria sido sepultada por Friedrich Merz esta semana, porque as empresas Dassault e Airbus não conseguem chegar a um acordo econômico.

    Potencial para críticas

    Por enquanto não há nenhuma reação oficial, mas não é difícil prever que haverá críticas e alguma resistência entre os outros 21 países do bloco que ficarão de fora dessa iniciativa. Afinal, a ideia de um grupo decisório menor dentro do bloco vai contra todo o já tradicional discurso vindo de Bruxelas, de que a União Europeia precisa de mais e não menos integração.

    O fato de a iniciativa ser liderada pela Alemanha também certamente despertará reações, já que também há uma crítica tradicional dentro do bloco de que a Alemanha seria invariavelmente a economia mais beneficiada pelo euro.

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  • Delcy Rodríguez inicia reformas na Venezuela e reaproxima país dos EUA um mês após prisão de Maduro
    Feb 3 2026
    Há um mês, Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados pelos EUA. Desde então, a Venezuela vive mudanças sob o comando de Delcy Rodríguez. A presidente interina tem tomado decisões que flexibilizam setores do país, como a liberação de presos políticos, medidas para reativar a economia e, de forma mais surpreendente, o estreitamento de laços com Washington, evidenciado pela recepção, na segunda-feira (1°), da encarregada de negócios dos EUA no Palácio Presidencial de Miraflores. Elianah Jorge, especial para a RFI Enquanto Nicolás Maduro e Cilia Flores aguardam julgamento no Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, em Nova York, Delcy Rodríguez vem mexendo em leis, gabinetes e dando ordens, o que vem atualizando a face do chavismo em pleno 2026. Para a analista política Luz Melly Reyes, os acontecimentos recentes na Venezuela seriam impensáveis poucas semanas atrás, quando Maduro ainda governava com mão de ferro. "Um mês após a saída de Nicolás Maduro do governo e sua extradição para os Estados Unidos, na Venezuela vêm acontecendo coisas impensáveis há trinta dias. Algumas delas são a aprovação da reforma da Lei de Hidrocarbonetos, a liberação de pelo menos 300 presos políticos e a reabertura da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas", afirmou a especialista. Apesar de muitos interpretarem essas ações como sinais de liberalização, Reyes observa que se trata de "uma etapa de reforço tático que o governo sabia que lhe convinha e sobre a qual estava trabalhando para poder ter novas entradas de dinheiro que evitassem que o país caísse em uma crise ainda mais profunda em termos econômicos". Segundo ela, o cenário atual reflete mais "ajustes estratégicos e econômicos do governo interino do que avanços efetivos na democratização do país". Leia tambémPara refugiados venezuelanos no Brasil, presidência de Delcy Rodríguez é um 'mal necessário' Na tarde da segunda-feira, Delcy Rodríguez se reuniu com a encarregada de negócios de Washington na Venezuela. A reativação das relações entre ambos os países segue a passos rápidos. Laura Dogu é a responsável por reabrir a embaixada dos Estados Unidos em Caracas. Desde 2019, a sede da diplomacia norte-americana na capital venezuelana estava fechada após a ruptura das relações entre os outrora inimigos. De acordo com Dogu, a reunião com Rodríguez e Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente interina, serviu para reiterar as três etapas propostas por Marco Rubio, secretário de Estado de Washington, para a Venezuela: a estabilização, a recuperação econômica, a reconciliação e a transição. Já o ministro venezuelano da Comunicação, Miguel Pérez Pirela, informou pelas redes sociais que o encontro faz parte da agenda de trabalho entre a Venezuela e os Estados Unidos. Cotado para assumir como embaixador da Venezuela, Félix Plasencia já está em Washington conduzindo reuniões para reabrir a embaixada venezuelana nos Estados Unidos. Redemocratizar Para a analista política Luz Melly Reyes, os acontecimentos recentes na Venezuela seriam impensáveis poucas semanas atrás, quando Maduro ainda governava com mão de ferro. "Um mês após a saída de Nicolás Maduro do governo e sua extradição para os Estados Unidos, na Venezuela vêm acontecendo coisas impensáveis há trinta dias. Algumas delas são a aprovação da reforma da Lei de Hidrocarbonetos, a libertação de pelo menos 300 presos políticos e a reabertura da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas", afirmou. Apesar de muitos interpretarem essas ações como sinais de liberalização, Reyes avalia que se trata de "uma etapa de reforço tático que o governo sabia que lhe convinha e sobre a qual estava trabalhando para poder ter novas entradas de dinheiro que evitassem que o país caísse em uma crise ainda mais profunda em termos econômicos". Segundo ela, o cenário atual reflete mais ajustes estratégicos e econômicos do que avanços efetivos na democratização do país. O advogado Ali Daniels, diretor da ONG Acesso à Justiça, observa que, embora algumas medidas possam ser vistas como positivas, a execução ainda é limitada. "Com a reforma da Lei Orgânica de Hidrocarbonetos, foram feitas mudanças radicais e essenciais à indústria petrolífera do país, que contradizem todo o discurso oficial dos últimos 25 anos e modificam a forma como o recurso será manejado", afirmou. No entanto, Daniels ressalta que a liberação de presos políticos foi lenta e pouco transparente: "Não são libertações plenas, mas ex-prisões submetidas a muitas restrições. Muitas pessoas liberadas são proibidas de falar em público e obrigadas a se apresentar diariamente aos tribunais." Segundo Daniels, embora a anistia anunciada por Delcy Rodríguez seja um sinal positivo, ainda não é possível confirmar seu alcance: "Recebemos isso como uma boa notícia, mas não podemos dar um sinal...
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  • Tensão no Oriente Médio: diplomacia acelera negociações contra possível ação militar dos EUA no Irã
    Feb 2 2026
    O Oriente Médio vive dias de expectativa diante da possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã, como forma de punição ao regime do país pelas milhares de mortes de manifestantes iranianos. Os protestos diminuíram, mas, segundo o Centro Internacional para Direitos Humanos no Irã (CHRI, em inglês), organização que monitora o que acontece no país a partir de Nova York, pelo menos 43 mil pessoas foram mortas pelas forças do governo iraniano. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel O presidente Trump recebeu um relatório da Inteligência dos EUA informando que este é o momento mais frágil do governo do país desde a chamada Revolução Islâmica de 1979, quando este regime assumiu o controle do Irã. Há uma corrida contra o tempo para evitar uma nova guerra na região, mas, até agora, os esforços diplomáticos da Arábia Saudita, Egito, Turquia, Catar e Omã para aliviar as tensões fracassaram. Esses países buscam convencer o Irã a agir racionalmente e a “oferecer algo ao presidente Trump” que seja capaz de evitar um confronto. Em Washington, o presidente norte-americano confirmou a jornalistas que manteve conversas com o os iranianos. Trump tem repetido que prefere negociações sobre o programa nuclear do Irã e também sobre o enriquecimento de urânio. A bordo do avião presidencial Força Aérea Um, ele confirmou que o Irã “está conversando seriamente” com os Estados Unidos. De acordo com o New York Times, algumas das opções apresentadas a Trump incluem incursões terrestres no Irã. Se este for o caminho escolhido, os EUA consideram também a possibilidade de operações que venham a danificar gravemente ou destruir completamente instalações do programa nuclear iraniano que não foram atingidas durante a guerra de 12 dias de junho do ano passado. Mas, segundo fontes citadas de forma anônima pelo jornal, o líder norte-americano ainda não decidiu qual será a estratégia, se um ataque for mesmo realizado. A posição do Irã O líder-supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi às redes sociais dar um aviso claro: segundo ele, “os americanos devem saber que se eles começarem uma guerra, desta vez vai ser uma guerra regional”. A declaração de Khamenei é similar à de Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento do país, que afirmou que “o senhor Trump poderia até ser capaz de iniciar uma guerra, mas não teria controle algum sobre como ela terminaria” Também por meio das redes sociais, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, declarou que “ao contrário da atmosfera criada pela guerra midiática artificial, a formação de uma estrutura para negociações está em andamento”. Mas não deu mais detalhes. O regime iraniano tem optado por mensagens ambíguas; acena para negociações, mas também diz estar pronto para a guerra. A missão do país na ONU afirmou na conta oficial na rede X (ex-Twitter) que “da última vez que os EUA se envolveram em guerras no Afeganistão e no Iraque, desperdiçaram mais de US$ 7 trilhões e perderam mais de 7 mil vidas americanas”. Em maiúsculas, como Donald Trump costuma fazer, os iranianos ameaçaram: “O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e em interesses comuns — MAS, SE PROVOCADO, SE DEFENDERÁ E RESPONDERÁ COMO NUNCA ANTES!”. Ali Shamkhani, conselheiro do líder Supremo do Irã, incluiu Israel nas ameaças em postagem na rede X. “Falar de um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar norte-americana, em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra e será recebida com uma resposta imediata e sem precedentes direcionada ao agressor, a todos os seus apoiadores e ao coração de Tel Aviv”. A posição de Israel A avaliação de fontes de segurança é que os Estados Unidos deverão comunicar as autoridades israelenses com alguma antecedência, se de fato o presidente Donald Trump determinar uma ação no Irã. Reservistas israelenses aguardam a convocação, em caso de necessidade. Israel também se prepara para modelos alternativos de ataques contra o seu território com a possibilidade até de ações terrestres. Segundo informação obtida pela RFI, milícias pró-Irã no Iraque podem buscar uma infiltração terrestre em Israel por meio da fronteira com a Jordânia, a mais extensa de todas as fronteiras israelenses, com cerca de 350 quilômetros. O Exército de Israel, em resposta, disse que não iria comentar a informação. Em caso de ataque por parte do Irã, a imprensa israelense afirma que o Exército de Israel projeta um cenário extremo envolvendo o disparo de centenas de mísseis balísticos pelo regime iraniano. Durante a guerra de 12 dias de junho do ano passado, o Irã disparou cerca de 500 mísseis contra Israel. Agora, uma das possibilidades é que este número pode chegar a 700 mísseis balísticos. De qualquer forma, as autoridades ...
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