Épisodes

  • Saiba o que é o E6, grupo liderado pela Alemanha que quer tornar a União Europeia mais ágil
    Feb 4 2026

    Liderados pela Alemanha, um grupo de seis países está propondo uma iniciativa para acelerar as tomadas de decisão na União Europeia. Chamado de E6, o grupo composto por Alemanha, França, Polônia, Espanha, Itália e Países Baixos pretende oferecer um contrapeso mais ágil aos crescentes poderes de Rússia, China e Estados Unidos no cenário global.

    Gabriel Brust, correspondente da RFI em Düsseldorf, na Alemanha

    O E6 foi apresentado de forma discreta, em 27 de janeiro de 2026, através de uma vídeo-conferência convocada pelo ministro alemão das finanças, Lars Klingbeil, com os seus homólogos destes outros cinco países. A repercussão até aqui é pequena, mas tem potencial para alavancar ou, ao contrário, rachar a União Europeia.

    Isso porque o que a Alemanha está propondo é uma espécie de “União Europeia dentro da União Europeia”, ou, como o próprio ministro alemão chamou, “uma Europa a duas velocidades”. Enquanto as decisões do bloco atualmente envolvem consultar os 27 países membros, o E6 conseguiria tomar decisões mais rápidas sobre alguns assuntos, consultando apenas as seis maiores economias.

    A ideia é acelerar a atuação europeia em quatro frentes econômicas e militares. São três propostas econômicas. Primeiro, criar a chamada União de Poupança e Investimento da União Europeia, o que garantiria mais financiamento para empresas e startups. Segundo, reforçar o papel internacional do euro. Embora este seja um termo genérico, sabe-se que uma das ideias é tornar a Europa menos dependente de meios de pagamento estrangeiros, com foco na soberania tecnológica.

    O último tema econômico que deve ser acelerado pelo E6 é garantir a disponibilidade de matérias-primas e assegurar cadeias de abastecimento confiáveis. Em outras palavras, obter energia industrial barata, o que hoje é o principal entrave ao crescimento da Alemanha, mas também terras-raras, em um dos pontos que esse novo grupo econômico europeu pode cruzar o caminho do Brasil.

    Impasse entre França e Alemanha

    O quarto tema é sem dúvida é o mais urgente, dado o contexto da invasão russa à Ucránia. O documento de lançamento do E6 diz que a defesa deve ser, “firmemente consagrada como prioridade no próximo Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia”. O bloco está desenvolvendo uma força de reação rápida de até 5.000 soldados, entre outras iniciativas.

    Vale lembrar que a Alemanha já vem reforçando parcerias bilaterais de defesa, tendo assinado recentemente acordos com Itália e Polônia para desenvolvimento de armamento e exercícios militares conjuntos. Mas os desafios de integração em defesa não são poucos.

    Só para citar um exemplo, o mega projeto Sistema Aéreo de Combate Futuro, que visava desenvolver um caça franco-alemão, está em um impasse há anos e, segundo a revista alemã Stern, a ideia teria sido sepultada por Friedrich Merz esta semana, porque as empresas Dassault e Airbus não conseguem chegar a um acordo econômico.

    Potencial para críticas

    Por enquanto não há nenhuma reação oficial, mas não é difícil prever que haverá críticas e alguma resistência entre os outros 21 países do bloco que ficarão de fora dessa iniciativa. Afinal, a ideia de um grupo decisório menor dentro do bloco vai contra todo o já tradicional discurso vindo de Bruxelas, de que a União Europeia precisa de mais e não menos integração.

    O fato de a iniciativa ser liderada pela Alemanha também certamente despertará reações, já que também há uma crítica tradicional dentro do bloco de que a Alemanha seria invariavelmente a economia mais beneficiada pelo euro.

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  • Delcy Rodríguez inicia reformas na Venezuela e reaproxima país dos EUA um mês após prisão de Maduro
    Feb 3 2026
    Há um mês, Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram capturados pelos EUA. Desde então, a Venezuela vive mudanças sob o comando de Delcy Rodríguez. A presidente interina tem tomado decisões que flexibilizam setores do país, como a liberação de presos políticos, medidas para reativar a economia e, de forma mais surpreendente, o estreitamento de laços com Washington, evidenciado pela recepção, na segunda-feira (1°), da encarregada de negócios dos EUA no Palácio Presidencial de Miraflores. Elianah Jorge, especial para a RFI Enquanto Nicolás Maduro e Cilia Flores aguardam julgamento no Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn, em Nova York, Delcy Rodríguez vem mexendo em leis, gabinetes e dando ordens, o que vem atualizando a face do chavismo em pleno 2026. Para a analista política Luz Melly Reyes, os acontecimentos recentes na Venezuela seriam impensáveis poucas semanas atrás, quando Maduro ainda governava com mão de ferro. "Um mês após a saída de Nicolás Maduro do governo e sua extradição para os Estados Unidos, na Venezuela vêm acontecendo coisas impensáveis há trinta dias. Algumas delas são a aprovação da reforma da Lei de Hidrocarbonetos, a liberação de pelo menos 300 presos políticos e a reabertura da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas", afirmou a especialista. Apesar de muitos interpretarem essas ações como sinais de liberalização, Reyes observa que se trata de "uma etapa de reforço tático que o governo sabia que lhe convinha e sobre a qual estava trabalhando para poder ter novas entradas de dinheiro que evitassem que o país caísse em uma crise ainda mais profunda em termos econômicos". Segundo ela, o cenário atual reflete mais "ajustes estratégicos e econômicos do governo interino do que avanços efetivos na democratização do país". Leia tambémPara refugiados venezuelanos no Brasil, presidência de Delcy Rodríguez é um 'mal necessário' Na tarde da segunda-feira, Delcy Rodríguez se reuniu com a encarregada de negócios de Washington na Venezuela. A reativação das relações entre ambos os países segue a passos rápidos. Laura Dogu é a responsável por reabrir a embaixada dos Estados Unidos em Caracas. Desde 2019, a sede da diplomacia norte-americana na capital venezuelana estava fechada após a ruptura das relações entre os outrora inimigos. De acordo com Dogu, a reunião com Rodríguez e Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente interina, serviu para reiterar as três etapas propostas por Marco Rubio, secretário de Estado de Washington, para a Venezuela: a estabilização, a recuperação econômica, a reconciliação e a transição. Já o ministro venezuelano da Comunicação, Miguel Pérez Pirela, informou pelas redes sociais que o encontro faz parte da agenda de trabalho entre a Venezuela e os Estados Unidos. Cotado para assumir como embaixador da Venezuela, Félix Plasencia já está em Washington conduzindo reuniões para reabrir a embaixada venezuelana nos Estados Unidos. Redemocratizar Para a analista política Luz Melly Reyes, os acontecimentos recentes na Venezuela seriam impensáveis poucas semanas atrás, quando Maduro ainda governava com mão de ferro. "Um mês após a saída de Nicolás Maduro do governo e sua extradição para os Estados Unidos, na Venezuela vêm acontecendo coisas impensáveis há trinta dias. Algumas delas são a aprovação da reforma da Lei de Hidrocarbonetos, a libertação de pelo menos 300 presos políticos e a reabertura da Embaixada dos Estados Unidos em Caracas", afirmou. Apesar de muitos interpretarem essas ações como sinais de liberalização, Reyes avalia que se trata de "uma etapa de reforço tático que o governo sabia que lhe convinha e sobre a qual estava trabalhando para poder ter novas entradas de dinheiro que evitassem que o país caísse em uma crise ainda mais profunda em termos econômicos". Segundo ela, o cenário atual reflete mais ajustes estratégicos e econômicos do que avanços efetivos na democratização do país. O advogado Ali Daniels, diretor da ONG Acesso à Justiça, observa que, embora algumas medidas possam ser vistas como positivas, a execução ainda é limitada. "Com a reforma da Lei Orgânica de Hidrocarbonetos, foram feitas mudanças radicais e essenciais à indústria petrolífera do país, que contradizem todo o discurso oficial dos últimos 25 anos e modificam a forma como o recurso será manejado", afirmou. No entanto, Daniels ressalta que a liberação de presos políticos foi lenta e pouco transparente: "Não são libertações plenas, mas ex-prisões submetidas a muitas restrições. Muitas pessoas liberadas são proibidas de falar em público e obrigadas a se apresentar diariamente aos tribunais." Segundo Daniels, embora a anistia anunciada por Delcy Rodríguez seja um sinal positivo, ainda não é possível confirmar seu alcance: "Recebemos isso como uma boa notícia, mas não podemos dar um sinal...
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  • Tensão no Oriente Médio: diplomacia acelera negociações contra possível ação militar dos EUA no Irã
    Feb 2 2026
    O Oriente Médio vive dias de expectativa diante da possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Irã, como forma de punição ao regime do país pelas milhares de mortes de manifestantes iranianos. Os protestos diminuíram, mas, segundo o Centro Internacional para Direitos Humanos no Irã (CHRI, em inglês), organização que monitora o que acontece no país a partir de Nova York, pelo menos 43 mil pessoas foram mortas pelas forças do governo iraniano. Henry Galsky, correspondente da RFI em Israel O presidente Trump recebeu um relatório da Inteligência dos EUA informando que este é o momento mais frágil do governo do país desde a chamada Revolução Islâmica de 1979, quando este regime assumiu o controle do Irã. Há uma corrida contra o tempo para evitar uma nova guerra na região, mas, até agora, os esforços diplomáticos da Arábia Saudita, Egito, Turquia, Catar e Omã para aliviar as tensões fracassaram. Esses países buscam convencer o Irã a agir racionalmente e a “oferecer algo ao presidente Trump” que seja capaz de evitar um confronto. Em Washington, o presidente norte-americano confirmou a jornalistas que manteve conversas com o os iranianos. Trump tem repetido que prefere negociações sobre o programa nuclear do Irã e também sobre o enriquecimento de urânio. A bordo do avião presidencial Força Aérea Um, ele confirmou que o Irã “está conversando seriamente” com os Estados Unidos. De acordo com o New York Times, algumas das opções apresentadas a Trump incluem incursões terrestres no Irã. Se este for o caminho escolhido, os EUA consideram também a possibilidade de operações que venham a danificar gravemente ou destruir completamente instalações do programa nuclear iraniano que não foram atingidas durante a guerra de 12 dias de junho do ano passado. Mas, segundo fontes citadas de forma anônima pelo jornal, o líder norte-americano ainda não decidiu qual será a estratégia, se um ataque for mesmo realizado. A posição do Irã O líder-supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, foi às redes sociais dar um aviso claro: segundo ele, “os americanos devem saber que se eles começarem uma guerra, desta vez vai ser uma guerra regional”. A declaração de Khamenei é similar à de Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento do país, que afirmou que “o senhor Trump poderia até ser capaz de iniciar uma guerra, mas não teria controle algum sobre como ela terminaria” Também por meio das redes sociais, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, declarou que “ao contrário da atmosfera criada pela guerra midiática artificial, a formação de uma estrutura para negociações está em andamento”. Mas não deu mais detalhes. O regime iraniano tem optado por mensagens ambíguas; acena para negociações, mas também diz estar pronto para a guerra. A missão do país na ONU afirmou na conta oficial na rede X (ex-Twitter) que “da última vez que os EUA se envolveram em guerras no Afeganistão e no Iraque, desperdiçaram mais de US$ 7 trilhões e perderam mais de 7 mil vidas americanas”. Em maiúsculas, como Donald Trump costuma fazer, os iranianos ameaçaram: “O Irã está pronto para o diálogo baseado no respeito mútuo e em interesses comuns — MAS, SE PROVOCADO, SE DEFENDERÁ E RESPONDERÁ COMO NUNCA ANTES!”. Ali Shamkhani, conselheiro do líder Supremo do Irã, incluiu Israel nas ameaças em postagem na rede X. “Falar de um ataque limitado é uma ilusão. Qualquer ação militar norte-americana, em qualquer nível, será considerada o início de uma guerra e será recebida com uma resposta imediata e sem precedentes direcionada ao agressor, a todos os seus apoiadores e ao coração de Tel Aviv”. A posição de Israel A avaliação de fontes de segurança é que os Estados Unidos deverão comunicar as autoridades israelenses com alguma antecedência, se de fato o presidente Donald Trump determinar uma ação no Irã. Reservistas israelenses aguardam a convocação, em caso de necessidade. Israel também se prepara para modelos alternativos de ataques contra o seu território com a possibilidade até de ações terrestres. Segundo informação obtida pela RFI, milícias pró-Irã no Iraque podem buscar uma infiltração terrestre em Israel por meio da fronteira com a Jordânia, a mais extensa de todas as fronteiras israelenses, com cerca de 350 quilômetros. O Exército de Israel, em resposta, disse que não iria comentar a informação. Em caso de ataque por parte do Irã, a imprensa israelense afirma que o Exército de Israel projeta um cenário extremo envolvendo o disparo de centenas de mísseis balísticos pelo regime iraniano. Durante a guerra de 12 dias de junho do ano passado, o Irã disparou cerca de 500 mísseis contra Israel. Agora, uma das possibilidades é que este número pode chegar a 700 mísseis balísticos. De qualquer forma, as autoridades ...
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  • 'ICE em Milão? Não, obrigada’: italianos protestam contra agentes dos EUA nos Jogos de Inverno
    Jan 30 2026
    Com o lema “Agentes do ICE em Milão? Não, obrigada”, a manifestação deste sábado (31) contará com a participação de políticos de centro-esquerda, sindicatos e movimentos civis. O governo italiano afirma que a atuação dos policiais americanos será restrita à área de inteligência, sem presença deles nas ruas. Júlia Valente, correspondente da RFI em Milão O protesto foi organizado por políticos de centro-esquerda, com apoio de centrais sindicais e outras organizações civis, entre elas a Associação Nacional dos Partigianos Italianos (Anpi), entidade histórica da resistência contra o fascismo. Os organizadores pedem que os participantes levem apitos — o mesmo instrumento que vem sendo usado por cidadãos americanos nos atos contra a presença do ICE na cidade de Minneapolis. “Uma grande mobilização democrática e pacífica [ocorrerá] para dizer que não queremos as patrulhas do ICE na nossa cidade, para dizer que queremos as Olimpíadas dos direitos humanos e para dizer que estamos do lado de quem luta pelos direitos humanos, de Minneapolis ao resto do mundo”, afirmou o secretário metropolitano do Partido Democrático, Alessandro Capelli, um dos organizadores do protesto. Na última terça-feira (27), os Estados Unidos confirmaram a presença de agentes da divisão investigativa do ICE, anunciando que eles estarão na Itália para auxiliar na segurança da delegação americana e na mitigação de riscos provenientes de organizações criminosas transnacionais. A atuação do órgão, responsável pelo controle de fronteiras nos Estados Unidos e pela deportação de imigrantes em situação irregular, é um dos temas de maior controvérsia no momento, após a morte de dois cidadãos em operações recentes na cidade de Minneapolis. Partidos italianos de centro-esquerda defendem que os agentes americanos não devem atuar no país. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, classificou o ICE como uma “milícia que mata” e afirmou que seus integrantes não são bem-vindos na cidade. Houve ainda um protesto no Conselho Regional da Lombardia, no norte, onde políticos progressistas exibiram cartazes com a frase “Fora ICE”. Embora as críticas venham majoritariamente da esquerda italiana, alguns representantes de centro-direita também se manifestaram contra a vinda dos agentes americanos. “Cada delegação estrangeira decide de forma autônoma a quais forças confiar a escolta de seus representantes, mas, neste momento, a presença de agentes do ICE na Itália seria inoportuna”, escreveu nas redes sociais o líder do partido Noi Moderati, Maurizio Lupi. Governo italiano tenta evitar crise diplomática O governo da primeira-ministra Giorgia Meloni vem tratando o tema com cautela, em uma tentativa de evitar uma crise diplomática com os Estados Unidos. Considerada a principal aliada de Donald Trump entre os países da União Europeia, a premiê não se pronunciou diretamente sobre o caso. Já seus ministros têm buscado minimizar a relevância o assunto, afirmando que a segurança durante os Jogos Olímpicos será responsabilidade exclusiva das forças de ordem italianas. O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, publicou uma nota informando que analistas do ICE atuarão apenas em escritórios diplomáticos, como o consulado americano em Milão, e não nas ruas. “Os investigadores do Homeland Security Investigations não serão representados por pessoal operacional, como os envolvidos no controle migratório em território dos Estados Unidos, mas por profissionais exclusivamente especializados em investigações”, diz o texto. Piantedosi fará uma declaração formal no Parlamento italiano sobre o assunto na próxima quarta-feira (4). Na quinta-feira (29), o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, afirmou que apenas três agentes do ICE irão à Itália e que a função será colaborar com a polícia italiana, fornecendo eventuais informações. “Não há motivo para alarmismo. Quando há eventos desse porte, é natural que os países enviem suas próprias forças para colaborar na segurança. Eles não sairão pelas ruas em trajes de combate. Três funcionários que vão ao consulado não me parece um perigo para a democracia ou para a segurança dos cidadãos italianos”, afirmou Tajani. O embaixador dos Estados Unidos na Itália, Tilman Fertitta, também ressaltou, em nota, que a atuação do ICE será estritamente de assessoramento, com fornecimento de inteligência voltada principalmente ao combate a crimes cibernéticos e a ameaças à segurança nacional. Deputados europeus pedem que UE impeça entrada do ICE no continente Os líderes do grupo “A Esquerda”, no Parlamento Europeu, enviaram uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e à chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, pedindo que os membros do ICE sejam impedidos de entrar em território europeu. “Diante das informações de que agentes do ICE ...
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  • Tempestade Kristin afeta estradas, aeroportos e escolas em várias regiões da Espanha
    Jan 29 2026

    A chegada da tempestade Kristin provocou chuvas intensas, neve e ventos fortes na Espanha nesta quarta-feira (28), alterando a rotina em diversas regiões do país, causando incidentes e transtornos nas malhas rodoviária e ferroviária. A previsão é de que o tempo permaneça instável nesta quinta-feira.

    Ana Beatriz Farias, correspondente da RFI em Madri

    A Agência Estatal de Meteorologia da Espanha, a AEMET, emitiu alerta laranja – de risco considerável – para algumas zonas das regiões da Galícia (noroeste), do Principado das Astúrias (norte), da Andaluzia (sul) e de Múrcia (sudeste). O aviso, nessas áreas, é devido a fortes ventos e a condições adversas no mar. Outras regiões do país seguem em alerta amarelo, que representa risco mais baixo, mas que ainda demanda atenção.

    Segundo as previsões meteorológicas, a tempestade deve perder força no fim de semana. A AEMET, no entanto, manteve em seu perfil no X um aviso de que, nos próximos dias, a Espanha continuará “sob a influência de tempestades atlânticas, que trarão novamente chuvas abundantes, ventos muito fortes, tempestades marítimas e neve nas montanhas”.

    Trajetos alterados

    A tempestade alterou a rotina dos espanhóis na quarta-feira. Problemas generalizados no setor dos transportes afetaram muitas pessoas simultaneamente, com intervenções no trânsito em muitas rodovias e dezenas delas cortadas ao longo do dia.

    Em uma atualização publicada pela Direção-Geral de Tráfego, já nas últimas horas da quarta-feira, 88 estradas continuavam afetadas pela neve.

    No aeroporto de Madri, com a neve que atingiu a capital, uma das quatro pistas chegou a ser temporariamente fechada, enquanto equipes de limpeza trabalhavam em áreas de movimento das aeronaves, como informou a empresa administradora, Aena.

    O órgão já havia informado, durante a manhã, que as operações do aeroporto estavam mais lentas e que a prioridade, em casos assim, era a segurança.

    Em diferentes regiões do país, voos foram cancelados devido ao mau tempo. O tráfego ferroviário também foi afetado, e alguns trajetos de trem foram interrompidos ao longo do dia.

    Aulas suspensas

    Várias regiões da Espanha fecharam as escolas por conta das condições climáticas. O governo da Extremadura suspendeu as aulas da manhã em todos os centros educativos. Os moradores receberam um alerta de proteção civil solicitando que evitassem deslocamentos desnecessários.

    Em Madri, centros de ensino superior como a Universidade Autónoma de Madrid, a Universidade Carlos III e a Politécnica de Madrid tiveram suas atividades suspensas.

    Também foram interrompidas temporariamente as aulas em centros educativos e assistenciais de 77 municípios da Andaluzia. A região teve mais de 2500 emergências registradas entre terça e quarta-feira, em decorrência da tempestade Kristin e também da tempestade Joseph, que atingiu grande parte da Espanha na terça-feira.

    Famílias desalojadas e vítima fatal

    Diante da instabilidade meteorológica, muitas pessoas tiveram que ser desalojadas. Na província de Cádis, na Andaluzia, cerca de 250 moradores do município de San Roque tiveram que deixar suas casas por risco de inundação. As autoridades anunciaram a decisão ainda na noite de terça-feira.

    Também na terça-feira, quando a tempestade Joseph atingiu o país, com fortes rajadas de vento, uma mulher morreu após ser atingida por uma palmeira na localidade de Torremolinos, em Málaga. O governo local confirmou a morte em mensagem no X e disse lamentar profundamente o ocorrido.

    Tempestade deixou mortos em Portugal

    A tempestade Kristin também provocou estragos e fez vítimas em Portugal. Segundo um balanço divulgado nesta quinta-feira, pelo menos cinco pessoas morreram e quase meio milhão continuam sem energia elétrica após a passagem de Kristin.

    O governo português se referiu à tempestade como um "fenômeno climático extremo, que causou danos significativos em várias partes do território".

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  • Dinamarqueses boicotam marcas americanas em protesto por ofensiva de Trump sobre a Groenlândia
    Jan 28 2026

    Disputa pelo território da Groenlândia leva dinamarqueses buscarem alternativas para fugir das grandes empresas de tecnologia americanas. O boicote também se estende a outros setores da economia.

    Fernanda Melo Larsen, correspondente da RFI em Copenhague

    A crise diplomática com os Estados Unidos ganhou um novo capítulo e agora passa pelo mundo digital. Cresceu no país a busca por alternativas às grandes plataformas e redes sociais americanas, em um movimento que muitos descrevem como uma disputa entre Davi e Golias.

    Um dos exemplos é a rede social Oase, que passou a receber um número muito maior de novos usuários desde o início do ano, um crescimento inesperado. A plataforma oferece uma alternativa local às redes sociais dominadas por empresas americanas, como a Meta.

    “É como um coral gospel de 300 pessoas pedindo. Depois, há várias cooperativas que querem começar. E ainda há famílias e grupos de amigos”, explica o CEO da empresa Anders Lemke-Holstein.

    O mesmo fenômeno é observado em outras plataformas digitais. O serviço europeu de buscas na internet Vivaldi é visto como uma alternativa ao Google, e também registrou aumento no interesse de usuários dinamarqueses após as declarações do presidente americano sobre a Groenlândia, com pessoas afirmando que querem reduzir a dependência de tecnologia dos Estados Unidos.

    Outros setores atingidos

    O movimento se espalha para outros setores da economia. No turismo, os cancelamentos e buscas por passagens e pacotes de viagens para os Estados Unidos teve uma queda.

    “A venda de viagens para os Estados Unidos caiu mais de 50 por cento em comparação com períodos anteriores, e vemos clientes escolhendo outros destinos como o Canadá”, disse Jacob Østergaard, diretor de uma das maiores agências de viagem do país, em entrevista a uma emissora de TV dinamarquesa.

    O impacto também aparece no mercado financeiro. Fundos de pensão dinamarqueses começaram a vender ativos americanos, alegando que a incerteza em torno dos Estados Unidos se tornou grande demais.

    Já nos supermercados, os consumidores têm usado aplicativos que ajudam a identificar e evitar produtos americanos. E uma escola de ensino médio dinamarquês, resolveu cancelar uma viagem de estudos que faria neste semestre aos Estados Unidos.

    Credibilidade em risco

    Segundo um professor do Instituto de Gestão Empresarial da Universidade do Sul da Dinamarca, o boicote pode gerar impacto quando ganhar escala.

    “Isso coloca em xeque marcas e produtos que se apoiam em uma identidade americana, algo que antes era visto como valioso, mas que perde força quando os consumidores passam a rejeitar essas marcas”, analisa o professor Dannie Kjeldgaard.

    A discussão também envolve soberania digital. Para a responsável pela associação Digital Independente da Dinamarca, a dependência de plataformas americanas é um risco.

    “Somos dependentes demais de fornecedores dos Estados Unidos. Precisamos retomar parte desse poder e passar a usar serviços europeus”, conclui Camilla Gregersen.

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  • No 'Davosito', Lula busca fortalecer presença brasileira na América Latina
    Jan 27 2026

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja nesta terça-feira para o Panamá, onde será o convidado de honra do Fórum Econômico Internacional da América Latina, organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe e o governo do Panamá. É uma viagem curta, mais com mais de um objetivo, na verdade: um regional e outro bilateral. Esta é a primeira visita do brasileiro ao país no atual mandato e faz parte da estratégia do Palácio do Planalto de intensificar as relações com todas as nações da região, independentemente de posições ideológicas.

    Vivian Oswald, correspondente da RFI no Rio de Janeiro

    Lula será o segundo a discursar depois do presidente panamenho, José Raul Mulino. Durante o Fórum, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve assinar o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos, que vai estabelecer as regras de proteção de investimentos panamenhos no Brasil, e vice-versa. O Brasil tem um estoque de US$ 9,5 bilhões em investimentos no Panamá, que é o sétimo maior destino de investimentos brasileiros no exterior.

    O encontro, que está sendo chamado de a "Davos da América Latina", ou "Davosito" nos círculos mais restritos, acontece uma semana depois do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, dominado pelas ameaças de Donald Trump à Groenlândia. Lula não foi.

    Integração regional

    No Panamá que o brasileiro pretende enfatizar a necessidade de mais integração regional em momento simbólico, após o ataque dos EUA à Venezuela e às políticas expansionistas americanas. Ele, contudo, não deve mencionar diretamente o país vizinho na cerimônia. Mas diplomatas no seu entorno não descartam que acabe fazendo comentários à imprensa.

    Entre os temas a serem debatidos no fórum estão os papéis econômico da região, em especial com relação ao setor privado, infraestrutura e desenvolvimento, além de inteligência artificial, comércio, energia, mineração e segurança alimentar.

    Outro assunto é o da segurança, sobretudo no que se refere ao combate ao crime organizado - tema que se tornou tema sensível na região, depois de ser usado pela administração Trump para atacar a Venezuela e pressionar países vizinhos.

    Reforço das relações bilaterais

    Desde 2024, Lula e o homólogo panamenho Mulino, que é de direita, já tiveram cinco encontros bilaterais. A relação entre os dois países, tem se incrementado nos últimos anos. O intercâmbio comercial entre Brasil e Panamá teve um aumento histórico de 78% em 2025, ficando em US$ 1,6 bilhão. Tiveram destaque as exportações brasileiras de petróleo e derivados.

    O Brasil é o 15º maior usuário do Canal do Panamá, por onde passam, segundo informações oficiais, 7 milhões de toneladas de produtos brasileiros. O Mercosul também está na pauta. Lula e Mulino devem tratar dos próximos passos para uma maior integração do Panamá ao Mercosul. Hoje, é um país associado, o primeiro da América Central.

    Lula ainda terá bilaterais com outros líderes de países latino-americanos. A agenda ainda não está fechada, mas há expectativa de que se encontre com os recém-eleitos presidentes de direita do Chile, José Antonio Kast, e da Bolívia, Rodrigo Paz, a quem pretende convidar para vir ao Brasil.

    Lula termina a agenda com uma visita ao Canal do Panamá, onde os líderes presentes farão a foto oficial do encontro. Também estão confirmadas as participações do Fórum de Daniel Noboa, presidente do Equador, da primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, e do primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness. As bilaterais acontecerão no Palácio de Las Garzas, sede do governo panamenho.

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  • Aliados de Trump se somam a democratas em repúdio a novo incidente do ICE que matou americano
    Jan 26 2026
    O presidente Donald Trump enfrenta forte tensão política depois que agentes federais de imigração dos Estados Unidos (ICE) atiraram e mataram um cidadão americano em Minneapolis. A vítima, Alex Jeffrey Pretti, 37, era enfermeiro de UTI no Centro Médico de Veteranos da cidade e cidadão americano. O governo classificou a ação como legítima defesa e disse que Pretti estaria armado, mas vídeos verificados mostram que ele segurava um celular, e não uma arma, quando foi imobilizado pelos agentes. Luciana Rosa, correspondente da RFI em Nova York O caso provocou protestos e gerou críticas inesperadas de aliados políticos e de grupos próximos ao governo, aumentando a pressão sobre Trump às vésperas de votações importantes no Congresso. O incidente poderia levar o país a um novo fechamento de instituições federais. Desde o começo de janeiro, uma série de confrontos entre agentes federais de imigração e civis em Minneapolis tem escalado a tensão em Washington. No sábado, um agente da Patrulha de Fronteira matou o americano Alex Pretty durante uma operação, o terceiro incidente envolvendo agentes federais na cidade em poucas semanas, e isso provocou uma onda de protestos e críticas públicas. Membros democratas no Senado anunciaram que irão bloquear o projeto de lei de financiamento do Departamento de Segurança Interna, que destina US$ 64,4 bilhões ao departamento e US$ 10 bilhões (cerca de R$ 340 bilhões e R$ 53 bilhões, respectivamente) especificamente para o ICE, após a morte de Alex Pretti em Minneapolis. Isso ocorre porque muitos democratas consideram inaceitáveis as táticas de imigração federal e a falta de prestação de contas dos agentes. A legislação precisa de pelo menos 60 votos no Senado para avançar, mas a oposição crescente dentro do próprio Congresso ampliou a possibilidade de uma paralisação parcial do governo até o fim do mês, quando expira o prazo para a aprovação do orçamento. O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, disse que não fornecerá os votos necessários para que o projeto siga adiante se a parte que financia o Departamento de Segurança Interna estiver incluída, classificando os acontecimentos em Minnesota como “terríveis” e “inaceitáveis em qualquer cidade americana”. Leia tambémMortes em ação do ICE em Minneapolis aumentam risco de paralisação orçamentária nos EUA Trump pede o fim das cidades-santuário Donald Trump usou as redes sociais na noite deste domingo para pedir que o Congresso aprove, com urgência, uma lei que acabe com as chamadas cidades-santuário nos Estados Unidos. Segundo o presidente, essas cidades estariam na raiz da crise atual envolvendo a polícia migratória e os confrontos registrados nos últimos dias. Cidades santuário são municípios ou estados que limitam a cooperação entre a polícia local e agentes federais de imigração, como o ICE. Na prática, isso significa que a polícia local não prende nem entrega imigrantes apenas por estarem em situação irregular, priorizando crimes graves e a relação de confiança com a comunidade. No comunicado, Trump afirmou que, durante o governo Biden, milhões de imigrantes ilegais, incluindo criminosos, teriam entrado no país. Ele disse que venceu a eleição com a promessa de fechar a fronteira e promover a maior operação de deportação da história americana, operação que, segundo ele, estaria funcionando melhor em estados governados por republicanos, onde a polícia local coopera com o ICE. Trump acusou os governos democratas de se recusarem a colaborar com agentes federais e de criarem um ambiente de confronto e insegurança. O presidente citou diretamente o governador de Minnesota e o prefeito de Minneapolis, cobrando que entreguem imigrantes presos às autoridades federais e que as polícias locais passem a ajudar nas detenções. Leia tambémICE: quando a polícia de imigração dos EUA se torna um negócio bilionário de aliados de Trump Governo de Minnesota tenta frear operação do ICE nos tribunais O tiroteio em Minneapolis levou a disputa agora para o Judiciário. O governo do estado de Minnesota e as prefeituras de Minneapolis e St. Paul pediram à Justiça que interrompa a operação da polícia migratória, argumentando que a forma como os agentes estão atuando coloca moradores em risco e pode provocar novas mortes. Na noite deste domingo (25), os advogados entraram com um pedido urgente dizendo que a Justiça precisa agir antes que outro morador seja morto durante essa operação. Além disso, o estado também solicitou uma medida para garantir que nenhuma prova do local do tiroteio seja destruída ou alterada por agentes federais. Esse pedido foi aceito rapidamente por um juiz federal indicado por Donald Trump, que determinou que todas as evidências sejam preservadas. Agora, o próximo passo será uma audiência marcada para esta segunda-feira (26), às duas da tarde, quando a Justiça vai ...
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